O homem sente desejo e tem uma ereção.

5. Existem efeitos colaterais?

Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção. A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres. Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas. "Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino.

6. Ginseng

Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica. "Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso". Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar". "E isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista. Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres". No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas.

  • O uso de lubrificantes e hidratantes vaginais pode melhorar o desconforto durante a relação sexual, aumentando o prazer.
  • A estimulação do clitóris é essencial para muitas mulheres atingirem o orgasmo, independentemente da medicação.
  • O treino do pavimento pélvico (exercícios de Kegel) pode melhorar a sensibilidade e a resposta sexual.
  • A masturbação pode ajudar a mulher a conhecer o seu corpo e a identificar o que a excita sexualmente.
  • A leitura de livros sobre sexualidade e a participação em workshops de educação sexual podem ser úteis.

Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris, por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa.

Produto Composição principal Forma de venda Evidência científica
FemiLib Extrato de maca peruana Ervanária e farmácia Limitada
Ginsex Óleo de prímula e vitamina E Farmácia Moderada
Damiana Plus Folha de damiana e ginseng Ervanária Escassa
FemiVigor Pólen apícola e geleia real Loja de produtos naturais Inexistente

"Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo.

Produto Dosagem Quantidade + Bónus Preço
Viagra Oral Jelly100mg10 saquetas46.36€ 44.15€
Viagra Genérico150mg360 + 10 comprimidos423.48€ 403.31€
Viagra Oral Jelly100mg30 + 5 saquetas115.76€ 110.25€
Viagra Oral Jelly100mg21 saquetas78.66€ 74.91€
Viagra Genérico100mg360 + 10 comprimidos330.21€ 314.49€
Viagra Oral Jelly100mg220 + 18 saquetas562.28€ 535.50€
Viagra Original100mg34 + 2 comprimidos163.67€ 155.88€
Viagra Super Active100mg120 + 16 comprimidos198.37€ 188.92€
Viagra Super Active100mg20 + 4 comprimidos48.05€ 45.76€
Viagra Genérico200mg90 + 6 comprimidos170.79€ 162.66€
Viagra Genérico150mg120 + 8 comprimidos177.58€ 169.12€
Viagra Genérico200mg20 comprimidos61.69€ 58.75€
Viagra Oral Jelly100mg63 + 7 saquetas190.54€ 181.47€
Viagra Professional100mg120 + 4 comprimidos262.83€ 250.31€
Viagra Genérico50mg10 comprimidos26.87€ 25.59€
Viagra Genérico25mg120 + 6 comprimidos125.56€ 119.58€

Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora.

Característica Flibanserina (Addyi) Bremelanotida (Vyleesi)
Via de administração Oral diária Injeção sob procura
Início de ação Várias semanas 45 minutos
Duração do efeito Contínuo Até 12 horas
Interação com álcool Contraindicado Não descrita
Comparticipação pelo SNS Não comparticipado Não comparticipado

"E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres.

Cientistas alertam para possíveis consequências mortais da ‘vida espelhada’

A cientista chegou a participar, a convite da farmacêutica que lançou o flibanserin, de um painel com especialistas que simulava o formato adotado pelo FDA - um procedimento que as empresas às vezes fazem para se preparar melhor para o processo "real". Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido. "A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens.

Transtorno de excitação sexual feminina e a promessa do Viagra

Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro. Em 2015, a Sprout colocou no mercado o flibanserin, medicamento originalmente desenvolvido como antidepressivo e que atua nos níveis dos hormônios dopamina e serotonina com a promessa de aumentar a libido feminina. A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas. Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo. Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam.

2. Testosterona

Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena. Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea. Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber. A droga chegou a ser rejeitada duas vezes pelo Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulatório americano, antes de ser aprovada. Uma das vozes críticas foi a da professora do departamento de Psicologia da Universidade de Utah Lisa Diamond, que pesquisa a sexualidade feminina. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica.

  • A terapia hormonal com testosterona é frequentemente prescrita para mulheres com baixo desejo sexual devido a menopausa ou remoção dos ovários.
  • A testosterona em baixas doses pode ser administrada sob a forma de gel, adesivo ou implante, mas não está aprovada para todas as mulheres.
  • O uso de testosterona em mulheres requer monitorização rigorosa para evitar efeitos como acne, hirsutismo e alterações no colesterol.
  • Suplementos como a dehidroepiandrosterona (DHEA) são por vezes utilizados, mas a evidência científica é limitada.
  • A terapia hormonal combinada com estrogénio e progesterona pode melhorar o desejo sexual em algumas mulheres na menopausa.

"Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta.

  • Existem dispositivos médicos, como o Eros-CTD, que usam sucção para aumentar o fluxo sanguíneo para o clitóris e melhorar a excitação.
  • Este tipo de dispositivo é uma alternativa não farmacológica para mulheres com dificuldades de excitação.
  • O Eros-CTD foi aprovado pela FDA e pode ser usado em conjunto com outras terapias.
  • A terapia sexual com psicólogos ou sexólogos é fundamental para abordar causas psicológicas da baixa libido.
  • A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a identificar e modificar pensamentos e comportamentos que afetam o desejo sexual.

O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede.

Era do pós-comprimido

Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos. "Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. "Essa desconexão não existe entre os homens. Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou.

7. Ginkgo biloba

Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão. Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da viagra medicamento universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui ao caráter "controverso" de sua pesquisa. Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente. "Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico. As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo.

Muita parra, pouca uva

E a enzima fosfodiesterase tipo 5 [PDE5] também está presente no tecido genital feminino. Então nós pensamos: 'Bom, se funcionou com os homens, tem uma boa chance de que tenha impacto nas mulheres'." Os exames fisiológicos chegavam a mostrar um aumento da circulação sanguínea na vagina e no clitóris, mas tanto as participantes do grupo placebo quanto as que estavam tomando viagra não relatavam melhora na função sexual. Outras farmacêuticas realizando pesquisas semelhantes vinham se deparando com o mesmo problema - o que não chegava a ser surpresa para os especialistas em fisiologia sexual que já pesquisavam como a questão do fluxo sanguíneo se encaixava na equação da satisfação sexual. Esse era o caso da cientista Nicole Prause, na época envolvida em um dos projetos do viagra feminino nos EUA. O aumento do fluxo de sangue para os órgãos sexuais também faz parte da resposta sexual feminina.

4. Tribulus terrestris

Quando uma mulher fica excitada, o corpo intensifica a circulação sanguínea nas paredes vaginais e no clitóris, que aumenta de tamanho, assim como os pequenos lábios - um processo chamado vasocongestão. O problema é que, muitas vezes, as mulheres não chegam nem a se dar conta de que isso acontece. "Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. "Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual. Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson.

Só para tratar transtornos

Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente. E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado. É diferente de uma ereção, que é algo observável. A excitação feminina é female viagra portugal tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália. A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução.

  • O bupropiona, um antidepressivo atípico, é por vezes usado off-label para melhorar o desejo sexual em mulheres com depressão.
  • Este fármaco atua nos neurotransmissores dopamina e noradrenalina, podendo aumentar a excitação e o orgasmo.
  • A bupropiona tem menos efeitos secundários sexuais do que outros antidepressivos, como os ISRS.
  • No entanto, não é aprovado especificamente para disfunção sexual feminina e deve ser prescrito com cautela.
  • A associação de bupropiona com outros fármacos pode ser considerada em casos complexos de baixa libido.